Há 23 anos combatendo a fome e o desperdício de alimentos, a ONG Banco de Alimentos (OBA) quer compartilhar o seu conhecimento e metodologia de trabalho com o objetivo de apoiar mais organizações em outras cidades do país a combater a fome. A meta é abrir franquias sociais, um novo caminho para ampliar o impacto positivo das ações, beneficiando um maior número de pessoas. O primeiro projeto-piloto começa a ser realizado com a ONG Feliz Cidade, de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira, uma das regiões mais carentes do estado de São Paulo.

 

“Este é o primeiro passo da ONG Banco de Alimentos com o objetivo de ampliar o nosso escopo de atuação. Em nossa trajetória de 23 anos superamos inúmeras dificuldades, acumulamos muito conhecimento e metodologias. Nossa tecnologia social é certificada pela Fundação Banco do Brasil. Com o primeiro projeto-piloto de franquia social queremos reforçar a nossa missão, que é a de Alimentar, Educar e Transformar. Com o nosso processo de Colheita Urbana beneficiamos mais de 23 mil pessoas diariamente com alimentos e já entregamos mais de 13 mil toneladas de alimentos. Queremos compartilhar este conhecimento e amplificar estas ações”, afirma Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos.

 

Desde cedo, Luciana tomou consciência da dicotomia que cerca a realidade brasileira, entre o potencial do país e as suas pobres estatísticas. Inconformada com a fome secular que atinge boa parte da população brasileira, decidiu criar a ONG em 1998, a primeira organização da sociedade civil no combate à fome e ao desperdício de alimentos. A mesma insatisfação moveu o gestor financeiro Rogério Fernandes, que criou a ONG Feliz Cidade em 2019, inconformado ao ver tantos moradores de rua e população pobre passando fome de um lado, e o desperdício de alimentos, de outro ( https://www.facebook.com/ongfelizcidade/https://www.instagram.com/ongfelizcidade/ ).

 

Natural de São Paulo, hoje com 36 anos, Rogério mudou-se jovem para Pariquera-Açu, em 1997. “Conheci a ONG Banco de Alimentos pela internet e pelas redes sociais. Foi uma identificação muito forte com o trabalho. Desde que nos conhecemos, a gente se ´gostou de graça´, como se diz. Nós temos aqui pessoas dedicadas e bons profissionais, mas com a estrutura e expertise da OBA vamos conseguir expandir nosso trabalho para outras cidades e impactar mais pessoas. Nosso sonho é transformar a vida das pessoas, ajudar a transformar o Vale do Ribeira”, diz Rogério.

 

Inspirado na ONG Banco de Alimentos e no processo de Colheita Urbana, Rogério criou o projeto União Contra a Fome – UCF, que em 19 meses coletou 14 toneladas de alimentos que chegam às mesas de famílias em situação de vulnerabilidade, beneficiando mais de mil pessoas por mês. “Foi uma cópia do bem”, diz Rogério. A meta agora é expandir os trabalhos para as oito cidades vizinhas – Registro, Sete Barras, Jacupiranga, Iguape, Cajati, Eldorado, Juquiá e Cananéia. Segundo dados do CadÚnico de 2020, há cerca de 15.200 famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza na região.

 

A primeira ação conjunta com a orientação da ONG Banco de Alimentos aconteceu no mês de junho. No total, foram distribuídos a famílias em situação de vulnerabilidade dos nove municípios 500 cartões alimentação no valor de R$ 100,00 cada, doados pela OBA, totalizando um valor de R$ 50 mil. “Buscamos aplicar no projeto União Contra a Fome e em nossa essência de atuação o que observamos, maravilhados, no trabalho da ONG Banco de Alimentos”, afirma Rogério.

 

A meta é conquistar cada vez mais doadores, ampliando o raio de ação, área em que a expertise da ONG Banco de Alimentos também deverá ajudar. “Hoje entregamos alimentos in natura e cestas básicas em nosso escritório móvel virtual, uma Kombi”, diz Rogério. Foi também com uma Kombi que Luciana começou, em 1998, o sonho de combater a fome no país.

 

“É um orgulho ter a ONG Feliz Cidade como nossa primeira franqueada. Estamos finalizando a edição de manuais com a nossa metodologia de trabalho nas várias áreas, como administração, comunicação, logística e assistência social, para serem compartilhados como referência. Ao abrirmos a porta para o processo de franquias sociais buscamos mudanças mais estruturais na sociedade. As ações desenvolvidas pela ONG Banco de Alimentos em todas as frentes, além realizarem a ponte entre os dois Brasis – o Brasil que passa fome e o Brasil que desperdiça alimentos todos os dias –, são ações estruturadas incansavelmente para que seja possível atingir um objetivo maior: o de trazer consciência à sociedade como um todo para a questão urgente do combate à fome no país”, destaca Luciana.

 

 

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