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O papel das cidades no combate ao desperdício de alimentos.

Há muitas maneiras de combater a fome no Brasil de uma forma sistêmica e englobando vários atores sociais, políticos e econômicos. A solução depende de todos nós, cidadãos, sociedade, empresas, agronegócio e gestores públicos. Cada um tem que fazer a sua parte, uma vez que somos todos responsáveis pela realidade à nossa volta.

Discutir a fome é discutir a pobreza, a desigualdade. Relatório da Oxfam divulgado no Fórum Econômico Mundial de Davos 2023 revela um dado inaceitável: o 1% mais rico do mundo ficou com quase dois terços de toda a riqueza gerada desde 2020 – cerca de US$ 42 trilhões – seis vezes mais dinheiro que 90% da população global conseguiu no mesmo período. No nosso Brasil multifacetado, pobreza e desigualdade caminham juntas há muito tempo. Entre os países do G20, o Brasil é o mais desigual, atrás apenas da África do Sul (World Inequality Lab, dezembro de 2021).

As organizações da sociedade civil têm trabalhado arduamente para combater a desigualdade e a fome, entre outras ações evitando o descarte de alimentos que estão bons para o consumo e canalizando-os para alimentar pessoas em situação de vulnerabilidade – 125 milhões de brasileiros hoje estão em situação de insegurança alimentar! Este é o trabalho que a ONG Banco de Alimentos realiza incansavelmente há 25 anos.

Esse esforço poderia ser facilitado se as organizações contassem com o apoio de uma legislação eficiente. Só em 2020 tivemos a aprovação da Lei Federal No 14.016, que isenta os doadores de boa fé de responsabilidade, e em janeiro de 2022 a Lei Municipal 17.755 (SP), que dispõe sobre a doação de excedentes de alimentos pelos estabelecimentos. Representam avanços, mas ainda têm pouco efeito prático, até pela falta de divulgação.

Há muito a ser feito inclusive no âmbito das cidades que habitamos. Uma iniciativa importante é a do webinário Luppa – Desperdício de Alimentos e Papel das Cidades – que acontece agora no dia 25 de janeiro, organizado pela Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió, AL) e Delegação da União Europeia no Brasil, que contará com a participação da FAO Américas. O objetivo é discutir o papel das cidades e como elas podem se engajar na agenda de redução de desperdício de alimentos.

A troca de ideias entre gestores municipais certamente permitirá replicar boas práticas que levem a ambientes alimentares saudáveis e sustentáveis. O webinário acontece no dia 25 de janeiro às 13h45 e recomendo a participação a todos aqueles que querem ampliar a sua visão sobre o tema.

A transmissão será pelo YouTube da Embrapa, acesse o link. 

Por: Luciana Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos.

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