Luciana Chinaglia Quintão, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos, participou no dia 8 de dezembro de debate sobre o aumento da fome no país, no programa Estúdio CBN, da Rádio CBN, apresentado por Tatiana Vasconcellos e Fernando Andrade, ao lado de Gilson Rodrigues, do G10 Favelas, e de Kiko Afonso, da Ação da Cidadania.

Luciana comentou que hoje, no Brasil, um a cada dois brasileiros vive em estado de insegurança alimentar, sem saber o que vai comer na próxima refeição. “Isso é fruto da nossa má gestão pública, da nossa má gestão econômica, é uma responsabilidade de todos nós. E são várias fomes, não só de comida, mesmo a gente vivendo em um país que é celeiro do mundo. É preciso mudar paradigmas, com novas políticas econômicas e educacionais, porque senão a gente não acaba com a fome”, afirmou Luciana.

Ela destacou também que a questão da fome é secular. “Na época da fundação da ONG Banco de Alimentos, em 1998, havia 150 milhões de habitantes no Brasil e mais da metade dos brasileiros já vivia com menos de meio salário mínimo. Além disso, havia mais de 20 milhões de indigentes, sem renda nenhuma. Então essa questão da forme persiste. A lei que dispõe sobre o combate ao desperdício de alimentos e a doação de excedentes de alimentos para o consumo humano, eximindo o doador de boa fé de incorrer em qualquer tipo de dolo só foi aprovada no ano passado, em meio à pandemia”.

A questão da eficiência da gestão pública, na visão de Luciana, é fundamental, ao lado de programas da sociedade civil e do papel das empresas, uma vez que é preciso pensar o Brasil como um todo. Programas como o Bolsa Família e outros de auxílio são importantes, mas Luciana afirma “rezar” para que um dia não sejam mais necessários: “Os auxílios são importantes principalmente em momentos de problemas conjunturais. Nosso problema é estrutural. Nós precisamos de emprego, de infraestrutura adequada, precisamos usar o equipamento público e a inteligência pública para resolver objetivamente os nossos problemas. E não ficar enxugando gelo. Está tudo muito interconectado – economia, poder público, sociedade civil – e cada um de nós, onde estiver, precisa trabalhar da melhor forma possível para o bem coletivo. É uma questão de inteligência, de conhecimento, de querer fazer. Nós somos um país muito rico, com muito potencial. Precisamos parar de destruir e começar de fato a construir para o coletivo”.

À pergunta de Tatiana Vasconcellos sobre se isso significa também votar bem, Luciana acredita que, além de votar bem, é preciso pressionar para acabar com a corrupção, para que os políticos trabalhem de uma forma mais assertiva, para que não trabalhem em prol de um plano pessoal mas sim do país como um todo. Todos têm que acompanhar, pressionar e fazer a sua parte. “Nós, na ONG Banco de Alimentos, entregamos 6 milhões de quilos de alimentos na pandemia, impactamos 1,5 milhão de pessoas. Se 18 pessoas conseguem fazer isso, significa não é impossível. Então todos da sociedade precisam ocupar o seu papel da melhor forma possível.”

Veja em: https://youtu.be/4L1Ul7nmj6s?t=2064

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