Como criar hábitos alimentares saudáveis desde a infância

A infância é uma fase fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e social do ser humano. É também nesse período que os hábitos mais duradouros começam a ser formados. Por isso, criar hábitos alimentares saudáveis desde cedo é essencial para garantir uma vida equilibrada e de qualidade ao longo dos anos.

Segundo o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (Ministério da Saúde, 2019), os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação dos hábitos alimentares. A partir dos 6 meses, além do leite materno, outros alimentos naturais devem fazer parte das refeições da criança. Para que a família possa proporcionar uma alimentação equilibrada, variada e que respeite suas tradições, o primeiro passo é conhecer esses novos alimentos.

Nos dois primeiros anos de vida da criança, a escolha dos alimentos merece atenção especial, pois é quando os hábitos alimentares estão sendo formados. O papel da família nessa escolha é muito importante: adultos e crianças devem participar desse processo de formas diferentes. Os adultos escolhem os alimentos saudáveis e adequados e a criança pode fazer sua escolha dentre eles.

As refeições das crianças podem ser as mesmas da família, desde que sejam saudáveis, baseadas em preparações caseiras e alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas e hortaliças, cereais, tubérculos, carnes e feijões. Se a criança recusa um alimento porque não gosta, é importante que a família continue a oferecê-lo, de outras formas, em outras preparações e sem obrigações, pois quanto mais oferecer esse alimento maior será a chance de ela aceitar.

Oferecer legumes e verduras diferentes é uma maneira de apresentar novos sabores, mesmo que nem todos os outros integrantes gostem e tenham o hábito de consumir determinados grupos alimentares, isso incentiva a todos a repensar suas escolhas. Participar do processo é essencial, por isso o Guia recomenda que compras sejam realizadas em conjunto com as crianças, para que elas possam ajudar a colocar os alimentos na cesta, riscar a lista de compras ou escolher um legume para experimentar.

Essa compra em conjunto pode acontecer principalmente quando realizada em feiras livres, locais com muitas opções de frutas, legumes e verduras, mas sem opções de alimentos ultraprocessados com suas embalagens muito chamativas, coloridas e estampadas com personagens da moda.

A ingestão de açúcar deve ser evitada até os 2 anos de idade e a exposição aos alimentos ultraprocessados, com salgadinhos, bolachas e refrigerantes, também precisa ser evitada e/ou realizada de forma atenta, visto que, por mais que existam leis para a publicidade infantil, temos uma vasta gama de produtos alimentícios vinculados a esse público. O impacto disso é uma mudança no comportamento de consumo, podendo gerar uma preferência inconsciente por produtos ultraprocessados, levando ao surgimento precoce de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como a obesidade e a hipertensão.

Quando pensamos nos adolescentes, precisamos lembrar que eles sentem a necessidade de ter autonomia para desenvolver sua identidade, de fazer suas próprias escolhas, de se perceber diferente da família e ser responsável por suas ações, devendo ser encorajado a se cuidar sozinhos. Mesmo assim, em casa, o ideal é que todos participem das atividades que envolvem a alimentação de acordo com as idades, seja guardando ou lavando alguns alimentos, separando folhas, misturando ingredientes, criando pratos coloridos, medindo ingredientes, montando sanduiches, preparando saladas, ajudando no planejamento da semana, preparando o lanche para a escola, colocando a mesa ou cozinhando algumas refeições mais simples.

É fundamental que sejam adotadas práticas e comportamentos saudáveis por todos, desde o nascimento até o início da fase adulta e com incentivos adequados a cada fase da vida. Toda essa participação auxilia no desenvolvimento e autonomia e fortalece os laços familiares. A formação de hábitos alimentares saudáveis desde cedo deve ser acompanhada da construção de outros hábitos de estilo de vida saudáveis, como a prática regular de atividades físicas, a manutenção de uma rotina de sono de qualidade, e cuidados com a saúde mental e emocional, bem como outras práticas de autocuidado. É essencial que sejam estimuladas práticas de atividades físicas, como esportes e brincadeiras ao ar livre. O movimento é essencial para o desenvolvimento motor, a socialização e a saúde mental. Ter uma rotina de sono é muito importante, influencia no humor, no crescimento, no apetite, no aprendizado e no comportamento das crianças.

Criar uma rotina de sono e proporcionar um ambiente tranquilo faz toda a diferença. Ensinar a criança a reconhecer e lidar com as emoções é um assunto que está começando a ser citado. Conversas sobre sentimentos são essenciais para ajudar no desenvolvimento da autoestima e da empatia.

Tudo isso é muito mais fácil com bons exemplos, estudos demonstram que os pais e responsáveis que cultivam hábitos saudáveis influenciam positivamente na vida dos pequenos. Por fim, é extremamente importante que o uso da tecnologia seja controlado. Devem ser incentivadas atividades que estimulem a criatividade, a leitura e o convívio familiar, substituindo a falsa sensação de “companhia” e lazer que o uso excessivo de telas pode proporcionar.

Criar hábitos saudáveis desde cedo é mais do que uma responsabilidade: é um presente que oferecemos para o futuro das crianças. Com exemplos positivos, envolvimento e carinho, podemos formar gerações mais conscientes, saudáveis e felizes.