Brasil segue fora do Mapa da Fome, mas 44,8 milhões ainda não conseguem pagar por uma alimentação saudável

O Brasil continua fora do Mapa da Fome, uma conquista importante reconhecida pelo Relatório SOFI 2026 (The State of Food Security and Nutrition in the World), publicado pela FAO com a participação de outras quatro instituições das Nações Unidas. Isso significa que menos de 2,5% da população brasileira está em situação de subalimentação, indicador utilizado internacionalmente para medir a fome crônica.

Apesar desse avanço, os dados revelam um desafio urgente: milhões de brasileiros ainda não conseguem ter acesso a uma alimentação saudável.

Segundo o SOFI 2026, 44,8 milhões de pessoas no Brasil não possuem renda suficiente para pagar por uma alimentação saudável, evidenciando que combater a fome vai além de garantir calorias: é preciso assegurar o acesso a alimentos variados, nutritivos e de qualidade.

O que significa estar fora do Mapa da Fome?

O chamado Mapa da Fome utiliza o indicador de Prevalência de Subalimentação (PoU), que estima o percentual da população cuja ingestão habitual de alimentos é insuficiente para atender às necessidades energéticas mínimas.

No caso do Brasil, o relatório aponta que o país permanece com menos de 2,5% da população em situação de subalimentação, permanecendo fora da classificação de países com fome crônica relevante.

Essa conquista demonstra avanços importantes nas políticas públicas, na produção de alimentos e nas ações desenvolvidas por organizações da sociedade civil.

Estar fora do Mapa da Fome significa que a fome acabou no Brasil?

Infelizmente, não. O indicador representa um avanço importante, mas não elimina a realidade de milhões de brasileiros que ainda enfrentam dificuldades para se alimentar adequadamente.

A insegurança alimentar ainda afeta milhões de brasileiros

Além do Mapa da Fome, o SOFI produz o mapa da Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES), metodologia adotada internacionalmente para medir as dificuldades enfrentadas pela população no acesso regular a alimentos adequados.

Os dados mais recentes para o Brasil mostram que:

  • 20,3 milhões de brasileiros (9,6% da população) enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave (fome).

Esses números revelam que, embora o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome, milhões de pessoas ainda convivem com a incerteza sobre quando ou como terão acesso à próxima refeição e, muitas vezes, precisam reduzir a quantidade ou a qualidade dos alimentos consumidos. Isso evidencia que o desafio da segurança alimentar no país está longe de ser superado.

O maior desafio é tornar a alimentação saudável acessível

O principal destaque do SOFI 2026 é o alerta para um desafio urgente: 2,69 bilhões de pessoas (32,7% da população mundial) não têm condições de pagar por uma alimentação saudável.

No Brasil, o relatório mostra que o custo médio diário de uma alimentação saudável é de US$ PPC 4,89 por pessoa. O PPC (Paridade do Poder de Compra) é um indicador internacional utilizado para comparar o custo de vida entre os países, permitindo avaliar o quanto uma alimentação saudável é acessível em diferentes realidades econômicas. Esse valor é ligeiramente inferior à média da América do Sul (US$ PPC 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ PPC 4,91).

Mesmo assim, esse custo permanece elevado para uma parcela significativa da população.

O resultado é preocupante:

44,8 milhões de brasileiros ainda não possuem renda suficiente para adquirir uma alimentação saudável todos os dias.

Ou seja, muitas famílias conseguem se alimentar, mas não conseguem consumir regularmente frutas, verduras, legumes, proteínas, leite, ovos e outros alimentos essenciais para uma dieta equilibrada.

Alimentação saudável é um direito, não um privilégio

O SOFI reforça que uma alimentação saudável deve ser:

  • adequada em nutrientes;
  • equilibrada;
  • diversificada;
  • consumida com moderação.

Esses quatro princípios são fundamentais para prevenir tanto a desnutrição quanto doenças relacionadas à má alimentação, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

Quando alimentos nutritivos têm preços elevados, milhões de pessoas acabam substituindo opções saudáveis por produtos ultraprocessados ou alimentos com menor valor nutricional, agravando problemas de saúde pública.

O que explica o alto custo da alimentação saudável?

Nesta edição, o SOFI dedica um capítulo inteiro para entender por que uma alimentação saudável continua cara em diversos países.

Entre os principais fatores apontados estão:

  • custos elevados de produção;
  • perdas de alimentos ao longo da cadeia;
  • logística e transporte;
  • armazenamento inadequado;
  • baixa eficiência das cadeias de abastecimento;
  • infraestrutura insuficiente.

O relatório também destaca que investimentos em produtividade agrícola, redução das perdas e desperdício de alimentos, melhoria da logística, infraestrutura e fortalecimento das cadeias de abastecimento podem reduzir o custo final dos alimentos e ampliar o acesso da população a uma dieta saudável.

Combater o desperdício de alimentos também é combater a fome

Todos os anos, milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas no Brasil, enquanto milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades para acessar uma alimentação adequada e saudável. Reduzir esse desperdício de alimentos é uma das estratégias para ampliar o acesso aos alimentos e fortalecer a segurança alimentar.

Nesse cenário, iniciativas de coleta e distribuição de alimentos desempenham um papel fundamental. A ONG Banco de Alimentos transforma excedentes em oportunidades ao coletar alimentos próprios para o consumo que perderam seu valor comercial e destiná-los a instituições sociais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. Assim, conecta onde sobra a onde falta, reduz o desperdício de alimentos e amplia o acesso a uma alimentação de qualidade.

Mas o trabalho da organização vai além da Coleta e Distribuição de Alimentos. A ONG também promove Educação Nutricional, incentivando o aproveitamento integral dos alimentos e hábitos alimentares mais saudáveis. Além disso, desenvolve ações de Conscientização e Advocacy, mobilizando empresas, governos e a sociedade para a construção de políticas públicas e soluções sustentáveis que fortaleçam a segurança alimentar e reduzam o desperdício de alimentos.

Ao unir o combate ao desperdício, a educação alimentar e a articulação com diferentes setores da sociedade, a ONG Banco de Alimentos contribui para enfrentar as causas da insegurança alimentar e construir um futuro em que alimentos de qualidade cheguem a quem mais precisa.

O desafio agora é garantir acesso à alimentação saudável para todos

O SOFI 2026 deixa uma mensagem clara: reduzir a fome continua sendo uma prioridade, mas garantir o acesso universal a uma alimentação saudável é o grande desafio da próxima década.

O Brasil avançou ao permanecer fora do Mapa da Fome, mas os números mostram que ainda há um longo caminho para assegurar que toda a população possa exercer plenamente o direito humano à alimentação adequada.

Enquanto 44,8 milhões de brasileiros não tiverem condições de pagar por uma alimentação saudável, o combate à fome precisará caminhar lado a lado com políticas públicas, redução do desperdício, fortalecimento da agricultura, educação alimentar e ações solidárias que ampliem o acesso a alimentos nutritivos e de qualidade.

Apoie a ONG Banco de Alimentos

Todos podem contribuir para transformar essa realidade.

Ao apoiar a ONG Banco de Alimentos, você ajuda a combater o desperdício de alimentos, promover a segurança alimentar e levar refeições mais saudáveis para milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Faça parte dessa transformação. Sua doação fortalece projetos que unem solidariedade, sustentabilidade e combate à fome. Juntos, podemos garantir que mais brasileiros tenham acesso não apenas à alimentação, mas a uma alimentação saudável e digna.